VÍDEO: autor de assassinato no Passo do Verde se apresenta, mostra imagens e alega legítima defesa

Maurício Barbosa

VÍDEO: autor de assassinato no Passo do Verde se apresenta, mostra imagens e alega legítima defesa

O autor confesso da morte de André Fernando Trindade Alves, 41 anos, se apresentou à polícia na manhã desta quarta-feira (8), e em uma entrevista exclusiva à reportagem do Bei, alegou que agiu em legítima defesa. O crime aconteceu às 23h horas de domingo (5) na frente de um bar no Balneário do Passo do Verde, em Santa Maria. Ele foi ouvido e vai responder em liberdade. A arma do crime foi apreendida.

O homem de 58 anos, que preferiu não ser identificado, chegou acompanhado dos advogados por volta das 9h na Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) e afirmou que atirou só depois de ser agredido pela vítima e sua companheira e também que haviam mais pessoas a sua volta.

O homem contou sua versão e disse que já tinha uma desavença antiga e acusou a vítima de ter furtado uma arma sua.

– Eu estava quieto no meu canto e ele veio e me deu uma trompada (encontrão) me obrigando a dar “oi” para ele. Eu disse que era para ele procurar a turma dele e que a gente não se acertava muito bem (se referindo aos dois não serem amigos e terem uma desavença). Dois caras que estavam com ele vieram falar comigo, seguraram minhas mãos e falaram que era para a gente conversar. Daí eu falei que não tinha nada para falar com ele. Eu disse que o que eu podia fazer para terminar com o problema é que eu pagava R$ 2 mil para quem me devolvesse a arma. Daí veio a “Manu”, esposa dele, e começou a me xingar. Depois veio o André e começou a me agredir, me deu um soco, me deu uns chutes e os outros dois não sei se eram para me agredir, eram três, me seguraram um de cada lado e iam me matar, né. Daí eu tive que atirar. Eu dei um tiro no chão, daí eles vieram, eu atirei na perna do André e ele continuou vindo e eu atirei no peito dele. Fazer o quê, deixar eles me matarem. Foi isso que aconteceu – diz o autor.

Autor dos tiros se apresentou com advogados e disse que agiu em legítima defesa

O depoimento durou cerca de uma hora. Acompanhado dos advogados Paulo Junior e Vinicius Camargo, ele falou o que aconteceu e respondeu aos questionamentos dos investidores.

– Desde o início a gente acredita na legítima defesa dele. Temos imagens que mostram que ele se defendeu, que ele não foi provocar e com medo de perder a vida, ele acabou disparando para não morrer. Haviam três pessoas agredindo ele – diz Júnior.

O advogado Vinicius Camargo afirma que eles possuem provas que mostram que a confusão não foi iniciada pelo cliente deles e que o homem teria tentado evitar ao máximo as agressões.

– Temos provas robustas que dão corpo a esse argumento, vídeos mostram que quem começou as agressões foi a esposa do André, que com as outras três pessoas partiram para cima do meu cliente e com isso o meu cliente não teve outra saída, a não ser, de maneira escalada para evitar o que aconteceu, deu o primeiro disparo no chão, o segundo na perna e o terceiro não tendo mais saída no peito – explica Camargo.

Segundo o delegado Marcelo Mendes Arigony, após a apresentação e o depoimento do autor, a investigação está quase no final. A arma do crime foi apreendida como prova no inquérito.

– Nós tínhamos uma investigação preliminar que iniciou na madrugada de domingo, onde nós tínhamos um indivíduo apontado como autor que estava evadido. Fizemos algumas diligências à procura dele e acabamos representando pela prisão preventiva. Agora ele se apresentou, trouxe uma tese defensiva plausível, trouxe inclusive a arma do crime e, pelo que parece, é uma arma que está regular. Nós havíamos pedido a prisão preventiva, mas o judiciário ainda não decidiu. O que nós produzimos hoje (depoimento), vamos encaminhar ao poder judiciário para que ele possa decidir ou não pela prisão – fala Arigony.

Vídeo entregue pela defesa do autor dos tiros mostra o momento em que a confusão aconteceu. Foto: Reprodução (Divulgação)

Arma

Ao ser questionado sobre a origem da arma, o homem afirmou que o armamento possuí documentação, que ele tem autorização para ter a arma, mas que não possuí o porte que permitiria que ele ande com a arma no dia a dia.

– A vida inteira eu andei armado. Eu ando sempre, por que eu moro sozinho e não tenho nem como deixar em casa, por que se entrarem lá, vão levar a arma. A vida inteira eu andei armado e nunca me envolvi em confusão com ninguém. Pode perguntar para todo mundo lá na região. Eu tenho o CR (Certificado de Registro), que dá direito ao cidadão de exercer atividades como caça, coleção de armas ou tiro esportivo e tenho o registro da arma – explica o homem.

Conforme a lei brasileira, para uma pessoa poder portar uma arma diariamente, ela precisa ter o porte de arma. Veja aqui o que é preciso para obter o porte. Além de responder pelo assassinato, ele vai responder também por portar a arma na rua irregularmente.

Este foi o nono homicídio do ano na cidade, o segundo do mês de março. No ano passado, nenhum assassinato havia sido registrado até o dia 8 do mesmo mês, no entanto, março fechou com oito mortes, entre os dias 9 e 26.

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Jovem é esfaqueado na região norte de Santa Maria Anterior

Jovem é esfaqueado na região norte de Santa Maria

Rodeio do Conesul começa nesta quinta-feira com expectativa de grande público Próximo

Rodeio do Conesul começa nesta quinta-feira com expectativa de grande público

Geral